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Sede do concelho do mesmo nome, a freguesia de S. Vicente passa, hoje, por ser o grande centro de atracção do Norte da Ilha da Madeira.
A freguesia de S. Vicente está situada num vale de encostas bastante altas. Em termos geológicos, apresenta uma particularidade em relação às demais freguesias da ilha, isto é, uma intercalação calcária marinha, que só tem paralelo nas ilhas de Porto Santo e de Santa Maria. A exploração da pedreira calcária remonta a meados do século XVII, época em que Francisco Pestana, vigário de S. Vicente, adquiriu a  pedreira que depois doou à Confraria do Santíssimo  Sacramento. Foi ele que iniciou a sua exploração, construindo nas suas imediações um forno. Mas não se esgota aqui a riqueza geológica desta freguesia, pois também é de referenciar a existência de um grupo importante de grutas, resultantes de canais de lava. As Grutas Naturais de S. Vicente foram pela primeira vez divulgadas em 1885 por James Yate Johnson. Segundo ele, estes canais de lava, que detêm um lugar ímpar na História Natural, são os “melhores que existem na Madeira”.
Não é possível estabelecer com exactidão, o ano em que se terá iniciado o povoamento e a colonização deste território. Presume-se que as primeiras explorações agrícolas privilegiaram o sul da ilha, em virtude da maior fertilidade dos terrenos e facilidade de desbravamento.
Só posteriormente, quando o número de povoadores cresceu de forma significativa, se terá começado o arroteamento dos vales do interior e das vertentes das montanhas. Assim, e por essa altura, se terão lançado os alicerces desta povoação. É provável que desde meados do século XV a este lugar tenham afluído alguns colonos, tendo sido S. Vicente, sem dúvida, o primeiro logradouro, seguido de Ponta Delgada.
A vila de S. Vicente constituiu-se em torno de uma paróquia que data de finais do século XV e cuja fundação se desconhece. Para o autor de ‘Saudades’, esta paróquia terá sido fundada em 1440.
Em 1590, Gaspar Frutuoso, referia-se-lhe nos seguintes termos: “uma legoa além da Ponta Delgada está a freguesia de S. Vicente, de 250 fogos com grandes terras de livranças de pão, e criações, muitas frutas de castanha, noz e de outra sorte, muitas vinhas, e muitas águas, e duas serras de água”.
Em grande parte devido ao progressivo aumento da sua população, foi este lugar elevado a vila, por alvará régio de 23 de Agosto de 1744, desmembrando-se da capitania de Machico.
Em 1835, a grande reforma administrativa levada a cabo pelo Governo Constitucional, eleva-a a sede de concelho, e em 1867, extinto que foi o concelho de Porto Moniz, as freguesias que o constituíam, excepção feita às terras de Achadas da Cruz, passam para a jurisdição do concelho de S. Vicente, ao qual pertenceram por pouco tempo, uma vez que cedo foi novamente restaurado o concelho de Porto Moniz.
A capela de S. Vicente foi sujeita a várias reparações e acrescentamentos no decurso dos tempos, sendo que as maiores obras se realizaram no século XVII. Para alguns, a actual matriz da vila é esta primitiva capela, em cujas imediações, mais precisamente na foz da ribeira de S. Vicente, existe uma outra capela, cavada na rocha, da mesma invocação da matriz, construída pelo povo em 1692.
Existem nesta freguesia outros templos: o de Nossa Senhora do Rosário, no sítio da Vargem e que tem sofrido vários aumentos e reparações; o de Nossa Senhora do Livramento, na Ribeira Seca, edificado em 1685 e o de Nossa Senhora da Piedade, no sítio do Passo, fundado em 1784.
Nesta vila o povoamento é disperso. Contudo, em direcção à Encumeada, existem alguns lugares densamente povoados, como os sítios do Rosário, Vargem e Feiteiras.
As veredas conduzem o visitante a alguns dos mais belos e inacessíveis pontos da ilha da Madeira, como o Caramujo, Estanquinhos e Bica da Cana.

 

 
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