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Dista 9,5 km da sede do concelho e confina com as freguesias do Arco de S. Jorge, Ponta Delgada, S. Vicente e Curral das Freiras. A freguesia de Boa Ventura é atravessada pela Levada da Achada Grande, Levada Grande, Levada das Faias, da Achada dos Alves e Pastel, e Levada da Achada ou do Serrão, todas elas com origem na Ribeira dos Moinhos.
A pouca distância da sua costa, encontram-se dois ilhéus conhecidos por Porco e Vermelho. Fica-lhe defronte o ilhéu Preto em cuja fenda por onde o mar se espadana, se dá origem à formação de um altíssimo jacto.
É esta freguesia servida ainda por um pequeno porto, na foz da ribeira do mesmo nome, que nasce na Serra das Torrinhas e desagua no Oceano Atlântico.
Boaventura deverá ser lugar de assentamento algo recente, mas o facto de se encontrar a meio caminho na ligação à vertente Sul pelo Curral das Freiras, terá propiciado a sua valorização.
Pedro Gomes Galdo é considerado um dos mais antigos colonizadores deste lugar, aqui tendo possuído terras de sesmaria e a quem se atribui a fundação da capela de S. Cristóvão, no sítio que ainda hoje conserva este nome.
Os terrenos que constituem a paróquia de Boa Ventura pertenceram, durante quase três séculos, à freguesia de Ponta Delgada, da qual foram desmembrados em 1836.
D. João V, por alvará régio de 4 de Fevereiro de 1733, autorizou a criação deste curato, ignorando-se a sua provisão definitiva, a sua jurisdição ou atribuições conferidas.
Por alvará de 18 de Novembro de 1836, António Alfredo de Santa Catarina Braga, governador do bispado e vigário capitular, eleva o curato a paróquia, desligando-o totalmente da jurisdição da freguesia de Ponta Delgada.
A sede da nova paróquia foi estabelecida na capela de Santa Quitéria, construída no sítio do Serrão, que fora edificada em 1731 e reconstruída em 1835.
Existiram nesta freguesia as ermidas de S. Cristóvão e de Sant’Ana, e em 1918 procedeu-se à construção de uma capela no sítio da Fajã do Penedo, dedicada ao Coração Imaculado de Maria.
   De acordo com o “Elucidário Madeirense” é totalmente desconhecida a origem deste topónimo, sendo necessário, em primeiro lugar, averiguar a verdadeira grafia desta designação, na medida em que este nome aparece escrito de duas formas: Boaventura e Boa Ventura. Presume-se que a primeira forma é a mais antiga e também a mais comum e usual, desconhecendo-se, contudo, que razão estará na base da preferência de qualquer uma delas. No arquivo paroquial desta freguesia não se encontram referências à origem do nome. Conjecturou-se que esta denominação teria tido origem num qualquer lugar do Continente de que os primitivos colonizadores aproveitassem o nome. Ainda segundo a obra supracitada, esta hipótese não tem fundamento por em Portugal não existir nenhum lugar, sítio ou freguesia, que conserve esse nome. Alberto Artur Sarmento, em ‘Freguesias da Madeira’ é de opinião que, nos primórdios do povoamento, estas terras terão sido chamadas de boa ventura, alcunha que teve o seu povoador.
Dado como certo é o facto de existir esta designação desde meados do século XVI, e mesmo antes, isto é, muito antes da criação do curato e de ser paróquia independente.
Esta é uma das freguesias mais pitorescas da ilha. O seu casario disperso resulta no isolamento de algumas povoações, como no caso de Falca de Cima e Falca de Baixo.
Nestas terras tiveram assento algumas casas solarengas, como os morgados do Serrão e da Silveira e, mais recentemente, Curado de Vasconcelos e Licio de Lagos.
No sítio de S. Cristóvão existiu uma pequena fábrica de telha, feita de um barro muito denso, que se encontrava nas suas proximidades e que era muito resistente aos danos provocados pela maresia. De grande interesse geológico é o vale da Ribeira do Porco.
É esta freguesia servida pela estrada que vem de Ponta Delgada, cavada na rocha. A Boca das Torrinhas limita a Serra da Boa Ventura, partilhada com o Curral das Freiras, e da Boca das Voltas sai um caminho que conduz à povoação.

 

 
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